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domingo, 11 de julho de 2010

AUDI, HONDA, TOP 16 ...


Depois de tanto tempo com a marca Honda eleita como a preferida do coração, não deixa de ser uma sensação um pouco estranha estar novamente em uma pista de arrancada em um dia tão importante como a Noite do Desafio, com um carro que não seja o Civic 07. Mais de duas centenas de carros na pista e aqui estou eu de Audi turbo... Eu que um dia fui fã de carro aspirado, girador, estou aqui com um carro cheio de torque e turbo! E fica ainda mais estranho quando me dou conta que gosto do Audi também.

Quando um evento é muito grande, é inevitável que a fila do alinhamento seja longa. É uma mistura de ruim e bom ao mesmo tempo. É chato esperar muito por uma puxada, mas ao mesmo tempo não posso deixar de sorrir ao ver aquela enorme fila avançando noite adentro. E pensar que ajudei a iniciar tudo isso... Talvez aquelas noites do postinho tenham servido para algo, afinal.

Aos poucos dá para ter uma visão geral da fila, que vai além de onde posso ver. Vamos ajeitando as coisas e consigo colocar o Audi lado a lado com um Civic VTI Nitro. Um Honda, afinal. No mesmo grupo um Civic SI Nitro com pneus M/T. Carros de desempenho semelhante.

Estou perdido na análise, pensando em quem vai vencer a puxada. O Audi turbo e nitro? O Civic com seu motor girador e infernal que eu conheço tão bem?

Estava ali, tranquilo com estes pensamentos, quando o carro que está na minha frente para , o participante sai e começa a utilizar a água que serve a "caixa de burn out" para esfriar seu radiador. O carro ferve, a fila para e ele não cede o lugar. Fico ali, travado pela falta de coleguismo do participante e vejo o Civic, meu adversário eleito ir embora na outra fila.

Tudo bem, teremos outras corridas , e talvez regras que punam quem empata a fila...

Ia ser bom vencer o Civic. Acho que até perder não seria (tão) ruim, afinal, era um Honda e ainda um VTI.

Meu adversário acabou sendo um fusca turbo e tenho a sensação que ele me escolheu para virar troféu. Não sei o que ele imaginou: que o Audi seria uma presa fácil ou um "inseto" daqueles que a "gente passa por cima" como é tradicional na gíria do local. Qualquer que tenha sido a ideia, não deu muito certo para o piloto do Fusca. O Audi e seus 80cv de nitro fizeram o serviço. Essa foi uma boa puxada, divertida, mas o melhor tempo veio mais tarde contra um adversário mais fraco. Tempo melhor, mas menos emoção.

A Noite do Desafio foi mesmo um evento muito grande. Acho que o maior onde já estive. A parte legal é que tem muita gente, muitos carros, encontramos amigos. O que não é tão bom é que são poucas puxadas. Foi o primeiro de uma série, e vai melhorar a medida que for sendo aperfeiçoado. Nesta noite de tantos carros e tantos acontecimentos, foi muito bom descobrir que dentre 230 participantes, o Audi esteve entre os 30 melhores. Uma sensação reconfortante.

Ficou ainda melhor quando vieram me dizer que tinha uma vaga no TOP16 devido a quebras, desistências e eliminações. Essa é uma bela notícia e não será a primeira vez do Audi. Seu antigo dono uma vez já tinha conseguido esta façanha. Não foi longe, mas estar ali já e um privilégio.

A adrenalina começa a subir de novo, uma função para tirar tudo de dentro do carro outra vez, sai estepe, macaco, ferramentas , achar um amigo para tomar conta das coisas - a vida de sportsman tem suas dificuldades... Mas ai, para tudo, o pessoal pede desculpas, mas os verdadeiros donos da vaga apareceram! Passou perto.

O saldo da noite foi positivo. O Audi foi impecável, deu suas três puxadas com 80cv de nitro e nem foi preciso abrir o capô. Nem para olhar... Saiu de Tarumã invicto, não perdeu nenhuma puxada.

Fiquei por ali, com o privilégio de estar dentro da pista, assistindo ao vivo a batalha em que se transformou o Top 16. Fogo , fumaça, turbinas carregando no two step, carros atravessando no sereno que deixou a pista molhada, e ninguém quer saber de tirar o pé. Vejo o pequeno 147 perder para o gigante Malibu no sacrifício, motor falhando e ainda assim dando trabalho, pequeno pistoleiro que cai atirando pra todo lado ...

Às quatro e trinta da manhã , depois da cadeira elétrica , tomo o rumo de casa com o Audi lotado, tão bom como chegou. Não tenho como não gostar do carrinho. Mas os pensamentos estão no Civic e no meu lugar naquele TOP 16...

domingo, 6 de dezembro de 2009




O ano era 2006 e já ia pela metade. A novidade em PA era o Metropolitano, um campeonato de arrancada que jogou a pá de cal na era tunning. O Metropolitano mudou o foco de interesse dos carros chamativos para os carros com alma, ou como quiserem, com motor.


O Civic VTi, com seu cabeçote 16v, dutos de grande fluxo e comandos de levante variável já era um ícone popular no cinema. Motor pequeno e potente. Certa vez levamos o VTi do Adriano - que não era mais nenhuma brastemp - no dino do Oscar Leck e ele marcou quase 140cv nas rodas para uma potência declarada de 160 cv no motor pela fábrica. Autinho infernal...

Para comparar, os Audi turbo 180 rendem pouco mais de 120 cv nas rodas com um motor maior e turbo.

Estava aí a base. Para ficar mais de acordo com o propósito, de andar mais que os outros, veio o gás, oxido nitroso. Todos daquela geração viram Velozes e Furiosos e também 60 Segundos. Quando Nicolas Cage aperta o botão - go, babby, go - o Mustang deixa para trás até os helicópteros da polícia. Ninguém acreditou, mas todo mundo curtiu.

O Civic começou com pouco nitro. Foi um tempo de trabalhar e aprender o uso correto do gás, pouco conhecido por aqui. O Civic não tinha uma Fuel Tech e seus recursos de gerenciamento, Para resolver o problema, entrou em cena um dispositivo fabricado pelo Piu da Unidesign de São Paulo. Era uma "caixinha" capaz de controlar o ponto e se sobrepor a injeção original, muito usada para turbinar carros.

Com este recurso à mão, não demorou para surgirem invenções. Um verdadeiro quebra-cabeças eletroeletrônico para poder fazer vários disparos de nitro progressivamente e não apenas toda injeção de uma vez só. Complicado? Sim, Funcionou? Sim. Dor de cabeça? Sim...

Voltando ao Metropolitano, o Arlindo Signori que organizava e era o dono do evento, disponibilizou uma arquibancada sobre o alinhamento. Uma grande ideia, que contribuiu para organizar a fila de carros e criou um jeito muito divertido de assistir as corridas. Como os carros passavam em baixo da arquibancada para alinhar, dava para ver, sentir a vibração, cheirar e principalmente ouvir os motores. Na hora do burn out, dava pra ver os pneus virando fumaça!

Todos que estavam la na época, lembram do locutor do Metro. Do alto do seu instrumento de trabalho (o microfone) ele passava a instrução que nunca esquecerei: " é só um 'burneu' por carro, dois 'burneu' não pode!". Ele tinha também outras pérolas e a mais legal era "com o apoio do nosso patrocinador FUTEC..." em referência à empresa que era uma estrela em ascensão, a Fuel Tech.

Nessa arquibancada, bem ali no que era o centro do nossso mundo naqueles dias, o Civic foi rei. O som da cavalaria de nitro, combinado com a configuração de cabeçote do propulsor japonês foi inesquecível. Apitava como um motor de moto, mas fazia tudo tremer à sua volta - o que o motor da moto não faz!

Foi especialmente inesquecível o dia em que o Civic enfrentou um gol branco ( do Spolier) trazido do interior.

Cena 1 - Enorme caminhão entrando no sambódromo com apenas um carro em cima. O Gol em questão, intimidação total.

Cena 2 - O gol, no boxe, é a soma da tecnologia e conhecimento do motor AP preparado naquele momento e local. Aspiradão a metanol, forjado , 2100, 4 bocas, Fuel tech, ventura virado, blocante e carroceria de gol furgão, muito mais leve. Se algo não está correto nestes dados, devo lembrar que foi a concorrência que nos "vendeu" as informações naquela tarde de domingo.

Cena 3 - Do outro lado, o Civic, motor 1.6, pistão comum, nitrado, pesado e sem blocante.

Cena 4 - Por todo o sambódromo, olhares e mentes vendo e processando. A turma do AP imbatível, os preparadores e suas fórmulas do que pode e não pode, o que funciona e não funciona. Do lado oposto, a gurizada da rua, inexperiente e conhecida pelos mais antigos pejorativamente como "preparados .com", por sua característica de usarem a internet para buscarem aprendizado.

Cena 5 - No alinhamento, a intimidação do burn out. Até hoje, o Pixulin jura que quem estava dentro do Gol era o preparador, o conhecido Nego Nelson. Não há provas disso e assim fica valendo a lembrança do TO Castro. E essa crença fez com que TO se preparasse de uma forma a não aceitar a derrota.

Voltando ao alinhamento, continua a troca de provocações . Os dois "chutam o balde" na regra de só um "burnéo" e dá até pena de ver o Civic fritando um só pneu por não ter blocante. Quando a rotação sobe só se ouve o motor do gol. Isso não é bom, pensamos. Mas quando a sinaleira cai, o Honda "tapa" todo o som ambiente e o dedo no botão impõe uma derrota que cresce metro a metro até a fotocélula. Com fogo saindo do cano a cada troca de marcha.

A arquibancada atrás de mim explode em comemoração. À minha frente, não posso esquecer, o Messias da Oxide nitro - que na época carregava as garrafas do pessoal - arranca a camisa e grita: " toma, toma, fala agora que eu quero ver !"


Drag race de verdade na Porto Alegre de 2006.

Ali nascia a base do nosso outlaw.

Ali a Associação Desafio ganhava força.

Ali o Civic mostrou o caminho.

terça-feira, 3 de novembro de 2009



DO VELHO, SURGIU O NOVO




Este espaço será dedicado inicialmente a contar a história e a aventura do Civic 07 e do seu piloto T.O. Castro, que todos aqui do sul conhecemos por PIXULIN.

Como todos que gostam de carros e precisam de uma adrenalina correndo nas veias de vez em quando, T.O. Castro descobriu nos Honda com motores Vtec uma fonte de diversão garantida. Motores pequenos, mas potentes, com um som típico que até os menos atentos podem reconhecer.


Garantem a diversão e também a confusão. Por causa deles, T.O. foi acabar dando explicações para um juiz. Duas vezes. E isto foi muito bom, porque esta situação acabou influenciando no nascimento do movimento outlaw aqui no sul. Fácil de entender: para acelerar um carro novamente, só em uma pista.


Às vezes o universo conspira a nosso favor. Onde não havia nada, apareceu a pista. Um sambódromo adaptado, com um evento iniciante em Porto Alegre e lá estava T.O. Castro e o Civic. Nem havia categoria para ele se inscrever, mas a visão emprendedora do organizador permitiu que T.O. e mais dois concorrentes corressem sob a regra Desafio, que apenas dizia que os carros não podiam ser mais rápidos que 9.5s em 201m, senão seriam desclassificados.


Até ai, nada de novo. Este sistema, com muitas restrições, já havia sido utilizado em outras competições. As coisas começaram a mudar, quando T.O. já virou 9.4 na primeira participação e era óbvio que algo teria de ser feito para que não fosse impedido de correr. Andar menos? "Tá brincando..."


Neste momento da história, podemos marcar o nascimento do out law, assim como um geólogo pode dizer quando acabou o Jurássico. T.O., Vicente Queiroz , Fabio Copetti de Queiroz e Fábio Andreis acabaram protagonistas de uma solução para o impasse. Continuariam correndo, sendo desclassificados, mas baixando os tempos o quanto fosse possível e sendo desclassificados. Mas não impedidos de correr.


O organizador do evento entendeu a situação e , sem querer, deu o empurrão que faltava para o nascimento do out law e seu primeiro legítimo representante, a Associação Desafio. A partir daí, o Campeonato Metropolitano em Porto Alegre foi o ponto de encontro de todos que queriam correr com seus carros, adaptados de acordo com suas capacidades e ambição.


O número de competidores cresceu, e o Civic foi o destaque daquele já distante ano de 2006. Foram muitas vitórias na pista , em cima de adversários que vieram de longe. Nós, que vivemos o momento, participamos das melhores corridas de drag race sem sequer sonhar que era isso que tínhamos na mão. Não foi à toa que um evento que se iniciou com escassas testemunhas, em menos de um ano lotava arquibancadas.


O carro que pode definir este tempo, foi o Civic branco 07. E esta é uma página em sua homenagem e a tudo que ainda está por vir no futuro próximo.


A história continua...